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Condições de trabalho dos profissionais de saúde e as lições aprendidas com a pandemia foram temas do evento da ENSP/Fiocruz, com participação do Sinmed-MG

1 de setembro/2020——– O diretor-presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Fernando Mendonça, foi um dos convidados do painel “Condições de trabalho dos profissionais de Saúde durante a pandemia” em evento on-line comemorativo dos 66 anos da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz. A ENSP é, atualmente, a maior Escola de Saúde Pública da América do Sul.

Coordenado por  Márcia Teixeira Chefe, do depto de Administração e Planejamento da ENSP/Fiocruz, o painel contou ainda com a participação de  Maria Helena Machado, pesquisadora da ENSP; Paulo Garrido, presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc – SN);  Jocélio Drummond, secretário regional da Internacional de Serviços Públicos (ISP – Américas);  Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, José Antônio da Costa, presidente da Associação Nacional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Anaten), e Fernando Mendonça, representando o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais.

Realizado de 1 a 4 de setembro, o evento tem como tema os desafios e caminhos da saúde em tempos de pandemia, sendo abordados: os desafios da educação no enfrentamento à COVIDA-19; saúde mental antes, durante e depois da pandemia;  desafios da ciência durante a pandemia; panorama da COVID-19 nas Américas; desafios globais da pandemia; a reforma do Estado e a Gestão Pública da Saúde; o fortalecimento da assistência farmacêutica na América Latina; a situação da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras de frigoríficos em tempos da COVID-19. 

PESQUISA VAI ORIENTAR POLÍTICAS PÚBLICAS E SINDICAIS

A primeira exposição coube a Maria Helena Machado, que está coordenando a pesquisa, assinada pela Fiocruz, “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da COVID-19 no Brasil”, para conhecer as condições de vida e trabalho de todos os profissionais envolvidos de alguma forma com a linha de frente da COVID. A pesquisadora explicou que atualmente existem 3,5 milhões de profissionais de saúde no país, sendo que 1,5 milhão está diretamente envolvido no combate à pandemia. Desse total 70% são mulheres.

Maria Helena pontuou que, mesmo antes da pandemia, a situação dos profissionais de saúde sempre foi de precariedade, salários baixos e atrasados, falta de condições de trabalho, jornadas múltiplas. Situação que piorou ainda mais no momento atual, com o aumento do estresse, cansaço, tentativas de suicídios, acidentes de trabalhos e medo de se contaminar e contaminar os familiares, entre outros.

Destacou também que a pesquisa “une todos os trabalhadores da saúde” e contou com várias parcerias importantes para sua realização, como é o caso do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais.  Conclamando a todos para que respondam a pesquisa, ela disse que esse será um instrumento importante, de cunho técnico-científico, para desenhar as políticas públicas e orientar o trabalho de entidades médicas. “Os trabalhadores de saúde são um bem público, um patrimônio nacional.  queremos dar voz a esses profissionais” .

É IMPORTANTE APRENDER COM O QUE ESTÁ SENDO VIVENCIADO

Em seu depoimento, o diretor-presidente do Sinmed-MG, Fernando Mendonça, lembrou os números da pandemia no país e em Minas, a gravidade da situação e a importância do profissional de saúde nesse contexto.

Mendonça fez um balanço das atividades do sindicato pós-pandemia, que em situação de home office tem trabalhado ainda mais pela causa dos médicos: até agora foram mais de  400 atendimentos jurídicos e 100 orientações publicadas pelos advogados parceiros;  cerca de  160 denúncias de situações graves, especialmente falta de EPIs, medicamentos e  profissionais de saúde, grupos de risco. As denúncias geraram mais de 150 ofícios para gestores e entidades da saúde, além de ações judiciais, como na questão da falta de EPIs.

O diretor-presidente reforçou a importância da pesquisa da Fiocruz: “Só com esses dados será possível mapear os vários efeitos da pandemia sobre os profissionais de saúde. A pesquisa vai mostrar as principais angústias desses profissionais, que na maioria das vezes estão ligadas à assistência à população e condições de trabalho”, avaliou.  

Segundo ele, estudos mostraram que 80% dos profissionais médicos tiveram a saúde mental piorada: “Além da pandemia os médicos precisam conviver com a infodemia,  milhares de informações que chegam todos os dias, sentindo-se pressionados no tratamento que darão aos seus pacientes”.

Reforçando as palavras da pesquisadora Maria Helena, disse que a crise da saúde já vem de muito tempo. Para ele, é importante aprender com o que está sendo vivenciado: “O Brasil poderia ter perdido menos vidas, se tivesse uma saúde mais preparada antes da pandemia. Essa reflexão precisa ser feita. As condições de trabalho hoje são graves, mas já são graves há muito tempo, e se a gente não tiver capacidade de resistir, aprender as lições,  teremos um cenário ainda pior.”

Destacou a necessidade de união dos profissionais de saúde e da participação da sociedade como um todo, incluindo o Poder Legislativo,  na causa da saúde: “Não adiante só bater palma”.

Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro,  e Paulo Garrido, presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc – SN) também denunciaram o descaso do governo com o sistema de saúde e as consequências disso em situação de pandemia. José Antônio da Costa, presidente da Associação Nacional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, lembrou que os profissionais da enfermagem são os mais afetados pela pandemia, e com o maior número de óbitos, destacando os baixos salários oferecidos à categoria e a falta de respeito com esses profissionais, que são tratados como “máquinas de cuidado”.

OLHAR INTERNACIONAL SOBRE A PANDEMIA E TENDÊNCIAS

Finalizando os debates, Jocelio Drummond, secretário regional da Internacional de Serviços Públicos (ISP – Américas), contribuiu com “um olhar internacional” sobre a pandemia e os caminhos que ela aponta em termos mundiais.  

Segundo ele, a forma de produção global, mais do que a falta de recursos, tem prejudicado a autonomia dos países em vários setores, como aconteceu com o fornecimento de EPIs, cuja produção está concentrada na China: “Os países estão vendo a necessidade de mudar essa lógica, e começarem a se organizar para produzir os insumos de forma descentralizadas”.

Outras tendências e questões discutidas internacionalmente foram apresentadas por ele: a nova realidade do teletrabalho, quem vai pagar pela retomada do desenvolvimento econômico,  necessidade de frear os tratados de livre comércio com discussões sobre a questão de patentes, valorização do papel do Estado,  cuidados com o meio ambiente e seus impactos, como  equacionar a desigualdade social que tornou-se ainda mais evidente com a pandemia.

O evento está disponível no Youtube https://www.youtube.com/user/enspcci . Para responder à pesquisa, acesse o link  http://bit.ly/PesquisaFiocruz