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    Entrevista com Fernando Mendonça, presidente do Sinmed-MG -Gestões 2016/2019 e 2019/2021: uma reflexão sobre os desafios e conquistas, novos desafios e agradecimentos

    Publicado em 28 junho/2021

    O sr. presidiu o Sinmed-MG por duas gestões 2016/2019 e 2019/2021. Como foi essa trajetória?  

    Foi um privilégio ter ficado à frente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais durante esses cinco anos. Foram muitas conquistas, mas também muitos desafios, o primeiro deles a perda de 80% da nossa receita, com a reforma trabalhista, mas com a ajuda dos nossos diretores e colaboradores conseguimos nos sobressair.

    Hoje, o sindicato tem uma estrutura financeira sólida e segura. Conseguimos inaugurar a nova sede já completamente reformulada com grande espaço físico para eventos. Lançamos um portfólio de serviços voltado para as necessidades dos médicos. Atuamos na defesa do médico em todas as frentes de trabalho. Nosso entendimento sempre foi que ao valorizar os profissionais médicos, estamos defendendo a melhoria da saúde como um todo e avançamos também muito nesse aspecto.

    Nesses anos foram muitas conquistas, todas elas fruto de longas negociações, entre as quais destaco a reestruturação do plano de carreira dos médicos da PBH; movimento dos médicos peritos da Seplag e médicos legistas da PCMG; ganhos para os médicos do Estado, principalmente da Fhemig e Hemominas; várias melhorias para os médicos do interior relacionadas principalmente ao combate aos vínculos precários e atrasos nos pagamentos;  e inúmeras ações judiciais ganhas na capital e interior, como ocorreu na Santa Casa de Misericórdia, Ipsemg, Betim, Contagem  e Uberlândia, entre vários outros.  Nesse período o sindicato conduziu 103 campanhas, foram mais de 4 mil reuniões internas e externas e 400 reuniões e assembléias com grupos de médicos.

    Por fim, destaco a grande presença que tivemos na mídia – rádio, TVs, portais, impressos – sinal, como fonte confiável, séria e comprometida com a saúde e o bem-estar social. Foram mais de 1.000 entrevistas publicadas e 2.600 publicações online.

    Durante as suas gestões, o sindicato implantou vários serviços ampliando o seu portfólio. Quais o sr. destacaria?

    Avaliamos as principais demandas e de que forma poderíamos facilitar a vida do médico. Assim, incluímos em nosso portfólio, junto com escritórios parceiros, o serviço de defesa profissional no caso de acusação de erro médico, tendo como diferencial o acompanhamento de sindicâncias e processos administrativos instaurados junto ao Conselho Regional de Medicina.

    Destaco também a implementação da assessoria para o médico Pessoa Jurídica. Mesmo o sindicato não podendo defender uma empresa, temos dado todo o apoio e orientação a esses profissionais, no sentido de que não caiam em armadilhas.  Também muito importante a assessoria jurídica especializada para o médico nas áreas administrativa, previdenciária e trabalhista; e a assessoria contábil e para planejamento tributário.

    Com a crescente necessidade de comunicação e uso das redes sociais, o sindicato passou a oferecer também o serviço de Assessoria de Comunicação aos médicos filiados, na questão das mídias sociais, entrevistas, produção de conteúdo em geral, assessoria de imprensa, e outros.

    Qual o sr considera a  sua “marca” à frente do Sinmed-MG?

    Considero não só minha marca, mas de todos os diretores que estiveram conosco desde 2016, nossa aproximação com a comunidade médica. Fizemos inúmeras visitas a locais de trabalho sempre tentando ouvir e levar adiante o que o colega estava demandando, independente da posição política, individual de cada um, acreditando que sindicato representa a todos. 

    A sua gestão foi marcada por uma postura bastante agressiva em relação à comunicação. Como o sr. avalia esse ponto?

    Sempre achei a comunicação uma ferramenta imprescindível para orientar e informar os diferentes públicos. Com a chegada da pandemia, comunicar se tornou ainda mais necessário. Posso afirmar que o Sinmed-MG está entre as entidades médicas mais atuantes nesse segmento e que mais investimentos faz.

    Trabalhamos e atualizamos todas as mídias sociais para manter o médico informado Acompanhando as novas tendências, foram 50 edições digitais do boletim “Trabalho e Integração” e 30 edições especiais do Boletim Covid/Simmed-MG, entre várias outras publicações.

    Além disso, a nossa relação com a imprensa ampliou demais, nos tornamos uma referência nacional e até internacional, com matéria publicada inclusive em um portal francês com a visão do sindicato sobre a pandemia

    Durante a sua segunda gestão, o sindicato comemorou 50 anos (11 de junho/2020). Como o sr. viu esse momento tão emblemático?

    Efetivamente, comemoramos os 50 anos em plena pandemia, um dos momentos mais difíceis, não só para a população, mas especialmente de grande estresse para a categoria médica. Mas mesmo diante de tantas adversidades, o cinqüentenário foi um momento de lembrarmos com orgulho de nossa trajetória e reforçar nossos compromissos não só com os médicos, mas com a sociedade, na defesa da qualidade da saúde como um todo.

    A pandemia marcou o final da sua gestão, como o sr. considera a atuação do sindicato neste período?

    Com a pandemia, o sindicato precisou se reinventar e fizemos isso o tempo todo. A diretoria e colaboradores dobraram os esforços para atender as demandas da categoria diante dessa nova realidade. Lutamos arduamente para proteger os profissionais, com equipamentos adequados; fomos enfáticos na necessidade do pagamento justo a quem está na frente da COVID-19 ou de certa forma pode ser afetado por ela; lutamos pela vacinação dos profissionais de saúde. Fortalecemos nossa comunicação, com o lançamento de várias peças orientativas e Boletins Especiais sobre a pandemia, prezando a informação de qualidade. Vivenciamos horas e horas de luta no sentido de buscar junto a quem fosse possível valorização e respeito para a categoria, já tão sacrificada, e tivemos bons resultados, o que considero gratificante. Ao mesmo tempo, não posso deixar de manifestar minha tristeza pelas quase 500 mil mortes, entre elas a de vários colegas e profissionais da saúde.

    Com certeza novas mudanças serão necessárias decorrentes dos reflexos da pandemia na saúde, na sociedade, na economia, na política. A diretoria que agora assume está preparada para isso. 

    Apesar de tudo, o sindicato cresceu em número de filiados, um sinal que está no caminho certo. Comente sobre isso.

    De fato, o sindicato teve um aumento do número de filiados. Isso nos deixa bastante gratificado porque é um sinal que o médico entendeu o nosso trabalho e a importância de ser filiado. Infelizmente, muitos médicos ainda não conhecem o sindicato, e, principalmente, não sabem que não somos atrelados a nenhum partido ou ideologia. Pelo contrário, a gente entende que o importante é defender a categoria, que nosso partido é o médico, e onde for preciso estaremos lá lutando por ele. Acho que esse entendimento foi fundamental para que os médicos se aproximassem mais e se filiassem.

    É importante, ainda, frisar que aqui não existe uma carreira de profissional sindicalista. Todos os diretores são trabalhadores médicos que exercem suas atividades como médicos,  mas que naquela parcela de tempo que dedicam ao sindicato o fazem com o maior amor e vontade de levar aos colegas e à sociedade sucesso em suas atividades

    Na nova gestão (2021/2025), o sr. vai assumir a diretoria de Relação com os Acadêmicos? Qual a importância dessa diretoria e seus planos em relação a esse público?C

    Considero esta uma das mais importantes diretorias do sindicato, pois a cada ano são quase 5 mil médicos sendo formados, em Minas. Nosso objetivo é dar uma grande ênfase ao departamento, aumentar o número de filiados acadêmicos, mostrar ao estudante de Medicina que o sindicato pode estar ao lado dele desde agora, e que ele precisa se preparar para enfrentar o mercado de trabalho. Pretendemos fazer isso trabalhando em conjunto com as diversas associações vinculadas aos acadêmicos e também com as faculdades  de Medicina. Hoje o sindicato é parceiro de nove universidades da capital e interior.

    Final de gestão é hora de agradecimentos. Que mensagem o sr. gostaria de enviar para os colaboradores, entidades parceiras, filiados e novos diretores?

    Termino meu mandato com a certeza de que nada teria sido possível sem a colaboração de todos que estiveram conosco nessa trajetória. Aos colaboradores, agradeço o empenho e o envolvimento  fundamental para levar nossas lutas em frente. Sentimos que todos vestiram a nossa camisa e compartilharam os objetivos pela causa da saúde.

    Agradeço às entidades médicas e não médicas,  como a Associação Médica, Conselho de Medicina,  Credicom, Fencom,  Central de Hospitais, Ministério Público, pela parceria na defesa da saúde como direito de todos.

    Aos nossos filiados, sem os quais não existe sindicato. Vocês são a garantia da continuidade da entidade na defesa incansável da categoria.

    A nossa mensagem para os diretores, tanto os novos como os que permaneceram com o sindicato, é de otimismo. Saibam que somos uma casa organizada, saneada do ponto de vista financeiro, com todas as condições para seguir na defesa  incansável da  categoria médica. Não é fácil, são muitas as dificuldades, mas ao final da jornada fica a grande satisfação de saber que  somos capazes de mudanças e transformações  para melhor no que tange ao trabalho dos colegas médicos e, consequentemente, do sistema de saúde como um todo