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    Eu participei: estudos clínicos da Coronavac e Janssen no Brasil

    29 de janeiro/2021

    Poucos tiveram o privilégio de fazer parte da história do desenvolvimento da vacina contra a COVID-19. Uma decisão voluntária, motivada por um grande desejo de ajudar a descobrir a melhor arma para vencer um inimigo sem tréguas.

    Veja os depoimentos dos diretores André Christiano dos Santos, médico de família e comunidade, e Flávio Mendonça, pneumologista na Santa Casa de Misericórdia, que participaram de forma voluntária dos estudos clínicos (fase 3) das vacinas Coronavac e Janssen.  Os estudos da Coronavac, desenvolvida pelo Butantan em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac Life Science, contaram com 13 mil voluntários no Brasil e da Janssen, da Johson & Johson”, com 7 mil voluntários.

    Médico de família e comunidade, André Christiano dos Santos, foi um dos primeiros profissionais de saúde infectados com a COVID-19 na capital mineira, em março/2020, quando pouco se sabia sobre a doença. Ele conta que teve sintomas de uma gripe que não se enquadraram no grupo de casos suspeitos para realização de um exame. Poucos dias depois, a esposa apareceu com os mesmos sintomas. Após fazer o exame foi constatado que estava com a COVID e os dois entraram em isolamento, junto com a filha.

    O diretor explica que, naquele período, só era enquadrado no grupo de suspeita quem tinha viajado para o exterior ou tido contato com alguém que viajou, o que não era seu caso.  Relembra, ainda, que no início os médicos atendiam os pacientes sem nenhuma proteção, quando provavelmente adquiriu a doença de forma comunitária.

    A contaminação totalmente inesperada do casal acendeu um sinal de alerta: “Até então a gente tinha a impressão que a doença era algo distante, mas infelizmente ela já estava batendo na nossa porta”, diz André Christiano.

    Quando o Butantan abriu a possibilidade de profissionais de saúde que já tinham sido infectadas pela COVID-19 participarem dos estudos da Coronavac, André Christiano não pensou duas vezes: “Na primeira semana de novembro eu agendei a primeira consulta para poder participar e colaborar com o desenvolvimento da vacina. Em 5/novembro tomei a primeira dose e no dia 19/novembro a segunda”.

    Com o início da vacinação, os estudos foram abertos para que os participantes que tomaram o placebo pudessem se imunizar: “Qual foi minha surpresa quando descobri que no meu caso havia recebido a vacina mesmo e já estava imunizado, o que me deixou mais tranquilo e seguro para continuar o meu trabalho”. A boa notícia chegou no dia 21/janeiro, quando teve início a vacinação em Belo Horizonte.

    “Estou muito feliz por ter participado desse momento histórico e torcendo muito para que a vacina chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros, para que possamos realmente virar essa página triste dessa doença terrível”, diz o diretor.

    Expectativa pela abertura dos estudos da Janssen

    Já o pneumologista Flávio Mendonça está participando dos estudos clínicos de fase 3 da Janssen, do Grupo Johson & Johson. Mendonça explica que, assim como a Coronavac, as pesquisas utilizam o modelo duplo cego, em que metade dos voluntários recebe uma dose de vacina, enquanto os demais um placebo sem eficiência contra a doença.

    “Eu tomei a vacina, que é dose única, em dezembro, sem saber em qual grupo me encontro, e desde então estou sendo acompanhado para ver se foram desenvolvidos anticorpos e respondendo a questionários sobre meu estado de saúde, sintomas etc.”

    Segundo ele, a perspectiva é que os estudos sejam abertos na primeira semana de fevereiro, para que aqueles que tomaram o placebo possam se vacinar, no caso com a própria vacina da Janssen. Mendonça se diz animado com os resultados preliminares de eficiência da vacina, conforme artigos publicados.

     “Estou aqui com fé e baseado na ciência aguardando o resultado para ver se já fui imunizado ou não, mas feliz por ter contribuído”, finaliza.