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PATOS DE MINAS: “Sistema pode colapsar se os casos continuarem aumentando”.

Publicado em 12 de fevereiro/2021.

Em entrevista ao Boletim COVID Sinmed-MG, a médica Sara Tatiana Menezes Rosa, diretora técnica e plantonista da UPA e do pronto socorro respiratório do Hospital de Campanhas de Patos de Minas, fala que além do aumento de casos no município e região, chama a atenção também a gravidade da doença, com muitos pacientes internados.

Os números da pandemia em Patos de Minas são preocupantes. Já são mais de 108 óbitos e 6.396 casos numa cidade com 150 mil habitantes (dados de 11/fev- SES). Qual a realidade da pandemia hoje em Patos de Minas?

O cenário é muito crítico. Estamos enfrentando o pior momento, com recorde de ocupação de UTI e de leitos de enfermaria, tanto em hospitais públicos como particulares, não somente em Patos de Minas, mas em toda a micro e macrorregião. O número de atendimentos tem aumentado a cada dia e também o de pacientes instáveis. Até pouco tempo, a maioria dos pacientes positivos podiam ser tratados em casa. Desde final de janeiro isso mudou, com pacientes com comprometimento pulmonar maior e necessitando de oxigênio terapia e de procedimentos que só são feitos no hospital. Estamos assustados, cada dia que passa é mais gente que precisa de internação, com várias pessoas entubadas.  

O perfil dos pacientes mudou?

Mudou um pouco sim. Antes a grande maioria eram idosos, com comorbidade. Agora, além desse grupo, jovens e adultos jovens é que estão precisando de internação.

Existe o rico do sistema de saúde colapsar com esse aumento da demanda?

Já estamos vivendo um colapso. Alguns hospitais particulares têm se negado a atender pacientes respiratórios pela falta de leitos o que acaba impactando no SUS. A realidade atual do município requer muita atenção. E a cada dia a demanda tem sido maior, muitos pacientes procurando o pronto socorro respiratório. Chegamos a ter mais de 200 atendimentos por dia. Se continuar assim, vai chegar uma hora que o sistema não conseguirá absorver todos que necessitam de internação. No início de fevereiro ficamos com sete pacientes na observação do pronto socorro esperando uma vaga para a enfermaria do hospital de campanha.

As medidas tomadas pela Prefeitura até agora foram adequadas?

Desde sexta-feira, dia 5 fevereiro, a Prefeitura, juntamente com o Comitê de Enfrentamento à Covid, ampliou as medidas restritivas, mas os reflexos só vão aparecer daqui uns 15 dias.
Acho que as medidas até agora foram adequadas.Temos que respeitar a questão da saúde, mas também olhar o lado econômico. A gestão até poderia fechar a cidade toda, mas optou por não fazer isso para tentar preservar o comércio loca,. Outras medidas foram tomadas como aumento de leitos e das equipes de trabalho, mas precisa melhorar ainda mais. Temos uma população de 150 mil habitantes, e apenas  23 leitos clínicos de Covid.  Mas é o que a gente vem falando, se a população não entender o que está acontecendo não adianta aumentar leito, aumentar profissional .

E como tem sido o comportamento da população em relação aos cuidados preventivos?

Temos percebido que a população não tem aderido aos cuidados básicos, inclusive com a realização de festas clandestinas. Patos teve uma primeira onda de casos mais graves em junho e julho, mas o que está acontecendo agora é algo ímpar. Sabemos que todos estão cansados de ficar em casa, mas não é hora de relaxar. Não adianta aumentar o número de leitos, de profissionais. Se a população não se conscientizar vai ficar ainda mais complicado.

Como está o processo de vacinação em Patos?

Pelo boletim epidemiológico da SES já foram vacinadas mais de 4 mil pessoas (dados do dia 8 fevereiro). O público alvo a princípio foram os profissionais de saúde – pronto atendimento, hospital de campanha, Samu etc – e os idosos em asilo, mas na sequência foram contemplados todos os profissionais da atenção  básica. incluindo além dos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais técnicos,  categorias mais expostas como funcionários da limpeza e segurança.

Quais os impactos da pandemia sobre os profissionais médicos da rede de saúde?

Os médicos, assim como as outras categorias, estão extremamente cansados física e mentalmente, sem horário para comer, até para ir ao banheiro. Tem sido um momento muito difícil, de muito esgotamento. E temos também vários casos de profissionais afastados. Se um colega falta temos que achar outro para fazer o papel dele, porque se ficar desfalcada a equipe toda sofre. 
Então é um cenário muito crítico, de muito estresse. Por isso, pedimos o apoio da população na questão do respeito com o profissional de saúde e esses também respeitando os pacientes