O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) vem a público alertar para a gravidade da situação enfrentada pelos médicos pediatras do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB) e para o risco à assistência prestada à população. Mesmo no período de vigência do decreto municipal e estadual de emergência em saúde pública em razão do aumento de doenças respiratórias, a gestão do hospital se recusa a restabelecer o quadro de profissionais e a antecipar uma reunião urgente solicitada pela categoria médica para tratar da redução da escala de atendimento pediátrico.
Em reunião realizada no dia 13 de julho promovida pelo Sinmed-MG, médicos pediatras da unidade hospitalar relataram ao sindicato uma série de graves problemas relacionados às condições de trabalho no hospital, com destaque para a redução da equipe médica da pediatria, que passou de cinco para apenas três profissionais fixos por plantão, com um quarto da equipe médica atuando somente em horário restrito.
“A medida da gestão do HOB chama atenção especialmente por coincidir com o período de vigência do decreto municipal e estadual de emergência em saúde pública em razão do aumento de doenças respiratórias, quadro que eleva a demanda por atendimento pediátrico exatamente no momento em que a equipe foi diminuída”, explica o diretor de Mobilização do Sinmed-MG, Cristiano Maciel.
Diante dos relatos, o Sinmed-MG protocolou ofício formal não apenas à gestão do HOB, à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e ao Ministério Público, mas também notificou o Conselho Municipal de Saúde, a Mesa SUSBH e o Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG), apresentando a pauta da categoria e solicitando reunião com a maior brevidade possível. A gestão do hospital, no entanto, respondeu agendando um encontro presencial apenas para o dia 12 de agosto, prazo considerado excessivamente longo diante da urgência do cenário.
Diante da distância da data marcada, o Sinmed-MG encaminhou novo ofício à gestão reforçando, em caráter prioritário, a proposta para que a administração voltasse atrás na decisão e restabelecesse emergencialmente a equipe com 5 pediatras, além de reiterar o pedido de antecipação da reunião. No entanto, essas demandas não foram atendidas pela gestão, resultando em grave sobrecarga de trabalho para os médicos pediatras e elevando os riscos ao atendimento infantil.
Além da redução da equipe médica, os profissionais relataram ao sindicato outros problemas estruturais e assistenciais na unidade, entre eles a superlotação e a estrutura inadequada da sala de prescrição da Unidade de Decisão Clínica (UDC), em desacordo com normas da Anvisa; condições precárias no espaço de repouso médico; ausência de capacitação presencial recente para o atendimento a Vítimas de Violência Sexual (VVS); fluxo inadequado para esse mesmo atendimento no período noturno, pela falta de assistente social e psicólogo de plantão; falhas no controle de acesso às áreas restritas da Pediatria; e relatos de falta de apoio institucional da chefia médica diante das dificuldades enfrentadas pela equipe.
Uma prática recorrente da PBH
Na semana de celebração do Dia do Pediatra (27 de julho), a categoria e os pacientes recebem essa medida como mais um duro golpe. A redução no Odilon Behrens reflete uma postura reincidente da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em tentar promover cortes de custos baseados estritamente em análises quantitativas e orçamentárias, sem considerar os riscos envolvidos, a gravidade dos casos e a qualidade do atendimento à população.
“Medidas semelhantes vêm sendo adotadas de forma recorrente pela gestão municipal, a exemplo da recente tentativa de diminuição da equipe do SAMU e da redução no número de pediatras nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O Sinmed-MG destaca que obteve sucesso na reversão dos cortes no SAMU e vem alertando continuamente sobre os perigos da retração do atendimento pediátrico nas UPAs”, reforça o diretor de Mobilização do sindicato.
Para o diretor Cristiano Maciel, é justamente essa reincidência da prefeitura em precarizar serviços essenciais que justifica a atuação cada vez mais incisiva do sindicato na defesa da medicina e da saúde pública.
O Sinmed-MG reitera que reconhece os desafios da gestão de um hospital de grande porte, mas reforça que a gravidade e a urgência do cenário relatado pelos médicos pediatras exigem resposta imediata da administração do HOB, sob risco de agravamento das condições de trabalho e de comprometimento da assistência prestada à população durante o período de emergência em saúde pública.