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Publicado no dia 15 de junho de 2026
O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), representado pelo diretor de Mobilização, Cristiano Maciel, participou na última sexta-feira, dia 12 de junho, de uma reunião realizada pela direção da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), na Cidade Administrativa. O encontro teve como objetivo passar os informes aos funcionários sobre o processo do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL) e o plano de transferência da gestão para outra instituição.


Durante a reunião, o sindicato reafirmou o seu posicionamento histórico e técnico em defesa da unidade. O Hospital Maria Amélia Lins é reconhecido como um centro de excelência em ortopedia e funciona como um pilar essencial de apoio ao complexo hospitalar de urgência, absorvendo pacientes vindos do Hospital João XXIII que necessitam de um segundo ou terceiro tempo de intervenção cirúrgica, principalmente motociclistas acidentados com lesões graves de joelho, ombro e quadril. Além disso, a unidade mantém um ambulatório de controle ortopédico que realiza mais de 3 mil consultas mensais.
O diretor de Mobilização do Sinmed-MG, Cristiano Maciel, relembrou o histórico que levou à atual situação e criticou a postura da gestão estadual. “A Fhemig alegava problemas de produtividade, embora os funcionários já estivessem se esforçando e apresentando uma melhora muito grande nesses índices. Em 2023, quando um aparelho importante do bloco cirúrgico, o Arco Cirúrgico, sofreu um dano, a Fhemig fechou o bloco para reparos. O que vimos, na verdade, foi um ato oportunista para anunciar o fechamento do hospital e sua transferência para a iniciativa privada, prevendo a realocação dos médicos e servidores efetivos para outras unidades, principalmente o João XXIII”, explicou o diretor.
A proposta inicial sofreu forte resistência do Sinmed-MG, que atuou em conjunto com o Sind-Saúde/MG, o SINDPROS, a Mesa SUS Estadual, o Conselho Estadual de Saúde e o Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Promotora de Justiça de Defesa da Saúd, Dra. Josely Ramos Pontes. Essa mobilização conjunta e a realização de audiências públicas conseguiram adiar e modificar o projeto original da Fhemig, que pretendia fazer uma terceirização forçada sem preparo de transição.
Com a nova proposta, a gestão do hospital será transferida para a Santa Casa, que planeja realizar uma ampliação da assistência 100% SUS. O sindicato reconhece que o desenho atual do processo é superior ao modelo privatista anterior. “A Santa Casa, apesar de ser uma instituição privada, é de interesse público e dá retorno ao paciente. Dessa forma, há mais transparência e não teremos perdas assistenciais imediatas. Além disso, a Fhemig garantiu que os funcionários concursados reforçarão as escalas de outras unidades e ninguém será demitido”, pontuou Maciel.
Riscos e suporte jurídico
Apesar dos avanços conquistados pela mobilização, o Sinmed-MG e os trabalhadores da unidade mantêm uma postura de extrema cautela e contrariedade ao fechamento. “Mesmo com as melhorias em relação à ideia original da Fhemig, o Sinmed-MG ainda é contra e vê riscos. O sindicato acolhe e respeita o posicionamento dos médicos e demais categorias que são contrários à transferência. A própria Santa Casa enfrenta hoje atrasos seguidos nos repasses de verbas do SUS e está em processo de reivindicação. Assumir o Amélia Lins sem garantias financeiras pode piorar a situação”, alertou Cristiano Maciel.
Outra preocupação da entidade médica envolve o destino do prédio, que é um patrimônio público estadual, e a preservação do conhecimento técnico acumulado. O sindicato exige rigorosa fiscalização para garantir o atendimento exclusivo ao SUS e cobrará que os protocolos clínicos e a capacidade cirúrgica construídos pelas equipes de ortopedistas, clínicos e fisioterapeutas do HMAL sejam integralmente respeitados.
O Sinmed-MG continuará atuando firmemente na defesa dos direitos trabalhistas. O diretor do sindicato, Cristiano Maciel, frisa que a Fhemig poderia ter adotado alternativas melhores, como a realização de concurso público, reformas físicas e investimentos na melhoria dos processos internos do próprio hospital. “Respeitamos as decisões de gestão, as questões políticas e democráticas, bem como o que a Justiça definir, mas continuaremos lutando e dando total suporte aos médicos. Aqueles que entenderem que seus direitos, seu histórico de trabalho ou suas capacidades foram infringidos nessa transferência e quiserem recorrer à Justiça receberão todo o apoio jurídico do sindicato”, garantiu Maciel.
O sindicato, em parceria com o Conselho de Saúde e as demais entidades sindicais, segue tentando medidas judiciais junto ao Ministério Público para tentar barrar o processo. Pela legislação, a Fhemig tem até o dia 4 de julho para concluir os trâmites, devido aos prazos e restrições do período eleitoral.
Prestação de serviços e prazos para os médicos
Como utilidade pública, o Sinmed-MG informa aos médicos lotados no Hospital Maria Amélia Lins que a Fhemig estabeleceu o prazo até a próxima segunda-feira, dia 22 de junho, para que procurem o setor de Recursos Humanos (RH) e manifestem formalmente o interesse pelas unidades da Fhemig para as quais desejam ser transferidos. A fundação analisará os pedidos e publicará a resolução final até o fim do mês de junho.
O diretor do sindicato Cristiano Maciel ressalta que o Sinmed-MG compreende e respeita a escolha daqueles profissionais que, como ato de resistência, optarem por não preencher o formulário. Diante do questionamento formal feito pelo Sinmed-MG durante a reunião sobre o destino desses servidores, a Fhemig informou que realizará a transferência desses médicos através do processo ex-ofício, ou seja, de maneira unilateral e de acordo com os critérios da própria gestão.
O sindicato orienta que esses profissionais façam parte do corpo de sindicalizados para receber o devido acolhimento e a assistência jurídica necessária caso decidam acionar as vias judiciais.