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Na linha de frente da COVID-19: a pressão para prescrição de medicamentos é um dos temas do depoimento do diretor do Sinmed-MG, Samuel Pires

Atuando em duas linhas de frente da COVID-19 – médico de família e comunidade no Centro de Saúde Ventosa, em BH, e plantonista de urgências e emergências na Unidade de Pronto Atendimento Alterosas, em Betim, o diretor de Campanhas do Sinmed-MG, Samuel Pires, aborda, entre outros assuntos, a pressão de pacientes e familiares para a prescrição de medicamentos sem comprovação científica.

“Desde o início da pandemia, tenho atuado na atenção primária, em BH, e na urgência, em Betim, diretamente no atendimento a casos suspeitos e confirmados da COVID-19.

A meu ver, a maior dificuldade que temos enfrentado ao longo dessa pandemia é a testagem insuficiente dos pacientes para um diagnóstico mais correto. Na urgência, só são testados nas UPAs os pacientes graves, com critérios de internação (swab e teste rápido). Os casos mais leves não são testados. E, na atenção primária, transcorridos mais de cinco meses de pandemia, só agora foi elaborado o protocolo para testagem de alguns grupos”.

Evidências científicas

“Acredito que o ponto mais polêmico desse momento de pandemia seja a questão de tratamento. Até o momento não existe nenhum tipo de tratamento com comprovação científica para tratar a COVID-19.

Muito se tem falado da hidroxicloroquina, cloroquina, nitazoxanida, zinco e ivermectina. Notícias veiculadas especialmente na internet, muitas delas fake news, acabam causando pânico e uma busca descabida nas farmácias por parte de pessoas que querem prevenir ou tratar a doença, não levando em conta o que é preconizado pelas sociedades e instituições de maior prestígio e respeito.

Essa situação tem gerado bastante desconforto para os profissionais de saúde da linha de frente. Já ouvimos relatos de colegas que sofreram algum tipo de pressão de pacientes e/ou familiares, para que fossem prescritos esses  tratamentos já citados.

A Associação Paulista de Medicina publicou, inclusive, um estudo em que 48.9% dos profissionais entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de pressão. Conforme divulgado na mídia, o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns, foi ameaçado de morte, depois que a instituição publicou um estudo que não recomendava o uso da cloroquina no combate à doença.

Vimos também algumas notícias circulando pela internet com propaganda de advogados recomendando processar aquele médico que se recusasse a prescrever essas drogas. O que é totalmente descabido, haja vista, como já frisei antes, não haver até o momento qualquer comprovação científica que justifique o uso dessas drogas.

Com relação à minha experiência, felizmente, até o momento não sofri nenhuma ameaça ou algum tipo de coação para prescrição dessas drogas, seja na atenção primária ou na urgência. Já aconteceu de pacientes e familiares indagarem ou até mesmo pedirem que os medicamentos fossem prescritos, mas de maneira bastante cordial. Após conversar com eles de forma aberta e franca, não houve maior repercussão. De qualquer forma, esse temor de ameaças, coação, gera bastante ansiedade, até mesmo insegurança, em nós médicos da linha de frente.  

No caso específico de Belo Horizonte e de Betim, as Prefeituras têm, até o momento, seguido o parecer do Conselho Federal de Medicina que dá autonomia aos médicos com relação a prescrever ou não algumas dessas drogas.  Em Belo Horizonte, a Secretaria de Saúde chega a orientar os profissionais que optarem por prescrever a hidroxicloroquina a realizarem eletrocardiogramas seriados durante os dias de uso”.