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Os desafios da formação médica em tempo de pandemia

2 de setembro/2020—–

Quais os desafios da formação médica com a atual pandemia? O que mudou? Essa nova realidade vai provocar alterações no conteúdo dos cursos? Essas foram as perguntas que o Sindicato dos Médicos enviou a representantes/coordenadores dos cursos de Medicina de Universidades parceiras. As respostas não deixam dúvidas sobre a necessidade de adaptação aos novos tempos e de um esforço conjunto envolvendo colegiado de curso, diretoria, estudantes, enfim, toda a comunidade.

Faculdade Ciências Médicas de MG – José Celso Cunha Guerra Pinto Coelho, diretor:

“Desde o começo da pandemia, a Faculdade Ciências Médicas vem se adaptando ao novo cenário imposto. O principal desafio foi manter as aulas para que o ano letivo não fosse prejudicado. Para que isso acontecesse, a faculdade adotou o sistema de ensino remoto e criou um núcleo especializado para dar suporte aos alunos que estão realizando as atividades acadêmicas de casa.

Em junho, as atividades práticas laboratoriais e os internatos, imprescindíveis para a formação dos alunos, foram retomados seguindo todas as regras de proteção e prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde. As equipes foram treinadas e capacitadas a fim de assegurar que as medidas de prevenção e proteção fossem rigorosamente seguidas, tanto por alunos, quanto por professores e colaboradores envolvidos na retomada das atividades práticas laboratoriais. 

A FCM-MG adaptou e preparou suas salas de aulas para que se transformassem em laboratórios. Adaptamos, também, os horários dos turnos e fornecemos EPIs para uso dos alunos e dos profissionais. Isso, além de otimizar o tempo dos alunos, faz com que eles realizem as atividades práticas laboratoriais com distanciamento e segurança. Com essas ações adotadas, não foi necessário fazer alterações no conteúdo dos cursos e dar continuidade no calendário acadêmico”. 

Faculdade de Medicina – UFMG – Taciana de Figueiredo Soares, coordenação do Colegiado de Medicina:

“Desde que as atividades acadêmicas foram suspensas pela Reitoria, em 18/03 último, temos experimentado muitos desafios. O primeiro deles foi atender os alunos que apresentavam quadro clínico suspeito para COVID, orientá-los a buscar ajuda médica especializada, promovendo a saúde do grupo e evitando eventuais contatos que pudessem disseminar a doença. Tivemos conhecimento de alguns casos, nenhum se confirmou, o que foi muito bom!

Na sequência, buscamos garantir a saúde mental dos nossos estudantes, muitos isolados de suas famílias que vivem distante, algumas em outros estágios, o que também foi uma prioridade. Nossa Escuta Acadêmica e o NAPEM se colocaram à disposição garantindo atendimento aos alunos com necessidade.

Com o passar dos dias, e a percepção de que essa pausa seria maior do que gostaríamos, outras estratégias precisaram ser trabalhadas, e que serão enumeradas abaixo: 1. Criar oportunidade para que os alunos pudessem participar ativamente de vários projetos de extensão desenvolvidos com a temática de enfrentamento ao COVID-19; tais estratégias puderam ser validadas como atividades curriculares para aqueles alunos concluintes. Ainda hoje, esses projetos estão em curso, entre eles a publicação diária de um boletim com informações sobre a doença e da pandemia, resenhas de artigos sobre a situação, novidades, entre outras informações. Esses projetos são um exemplo do que a universidade pública faz e desenvolve em prol da população geral e para o aprendizado do aluno quanto às questões sociais; 2. Discussão de  normas e regras para atendimentos dos pedidos de colação de grau antecipada dos alunos do 12 período, de acordo com a MP 934/2020; para essa antecipação, foi preciso estabelecer o regramento pela Reitoria da UFMG para a realização das cerimônias de colação de grau por via remota; aprovação de resolução do Colegiado de Curso sobre validação de atividades extracurriculares como atividades curriculares, num esforço para que os alunos não tivessem prejuízo na sua formação; 3. Seleção dos alunos candidatos à colação de grau de acordo com as normativas do momento; 4. Validação das atividades e lançamento na plataforma SIGA da UFMG; 5. Colação de grau antecipada de mais de 140 alunos para atuação no enfrentamento à pandemia do COVID-19; 6. Planejamento do retorno das atividades didáticas, no formato ensino remoto emergencial (ERE) – as discussões foram iniciadas ainda no primeiro semestre, com definição pelo PROGRAD/UFMG, no início de julho/2020; 7. Organização do curso de medicina para o retorno pelo ERE, a partir de junho, com discussão com os departamentos que ofertam disciplinas para o curso, treinamento dos docentes para a utilização das ferramentas de oferta de aulas e atividades didáticas por via remota;  organização das atividades, do projeto de retorno, organização das disciplinas numa lógica de menor impacto na saúde mental dos alunos, considerando tempo de tela, tempo de estudo sem tela e oportunidade de acesso às atividades assíncronas em momento mais confortável para o aluno; organização dos novos planos de ensino, organização de toda documentação para o ERE, dentro da proposição da PROGRAD; 8. Início das atividades em ERE em 03/08/2020, com acompanhamento e análise do processo pela ótica dos docentes e dos discentes, tentando identificar as dificuldades e saná-las para um retorno adequado; 9. Agora, mais recentemente, iniciaremos o processo de validação das atividades realizadas pelos alunos pelo “Brasil Conta Comigo”, Edital 4, do Ministério da Saúde.


Nesse conjunto de ações, nosso foco sempre foi o bem-estar de toda a comunidade acadêmica, principalmente dos discentes. Temos em torno de 1.800 alunos matriculados no curso de Medicina neste momento; a metade teve acesso à faculdade por meio de cotas, o que nos indica que todas as políticas da Instituição devem contemplar formas de superar as dificuldades que porventura eles possam ter, desde o acesso às plataformas virtuais até a plena utilização de todos os benefícios que qualquer aluno da UFMG possa ter. O lema é e sempre será  “não vamos deixar ninguém para trás”!

FAMINAS-BH – Juliana Barra, coordenadora:

“O grande desafio de um coordenador de curso com a atual pandemia é manter o acolhimento de discentes e docentes devido ao novo modelo imposto. Ainda mais se baseando em um curso onde a modalidade remota nunca havia sido pensada e na verdade pouco se encaixa. Foram necessários muita criatividade, motivação, trabalhos em equipes e realmente nos reinventar. O objetivo de tudo isso é mantermos a qualidade do curso. Precisamos repensar estratégias para cuidar da saúde mental de todos. Tudo se tornou muito longo e muitas vezes incerto.

Muitas ferramentas já estavam disponíveis e precisaram se aprimorar rapidamente. Mas plataformas estavam prontas, a telemedicina também estava presente. O que mudou foi o fato de acionar essas ferramentas e nos adaptarmos. A palavra desigualdade realmente se ressignificou na educação. Muitos estão à margem desse processo. Outra mudança importante foi a forma de demonstrar quem são os bons professores. A didática nunca falou tão alto, era só uma questão de adaptação.
Muitas formas de reuniões e debates mostraram ser mais efetivos de forma virtual, e isso veio para ficar.

Provavelmente iremos nos deslocar daqui pra frente para o que é essencial. Seriam as execuções do conteúdo prático. Muitas metodologias ativas mostraram sua força e serão incluídas. O que passaremos a discutir será o que realmente é essencial na Educação”.

FASEH – Faculdade da Saúde e Ecologia Humana – Tatiane Miranda, coordenadora

 “Os desafios para a formação médica durante a pandemia são muitos.
Vivemos um momento que exigiu – e ainda exige – diversas adaptações.
Especificamente para a Medicina, o desafio começa com a adaptação de aulas ao meio remoto: não tivemos tempo para treinar e desenvolver  habilidades, o que está sendo feito no dia-a-dia.

Também tivemos que nos adaptar, alunos/as/ e professores/as ao distanciamento social: a distância com a proximidade afetiva necessária para não nos perdermos … Está sendo momento das adaptações possíveis, das incertezas e da revisão dos processos de aprendizagem. Somado a tudo, medos novos, preocupações diferentes daquelas que já vinham conosco e tudo isso é formação: médica e humana”.

MEDICINA PUC MINAS BETIM – Henrique Guerra, coordenador:

 “O Projeto Pedagógico dos cursos de medicina da PUC Minas Betim estabelece que aproximadamente 49% da carga horária do curso ocorra em serviços de saúde, em pequenos grupos, supervisionados por  professores e preceptores. Esse foi o primeiro grande desafio, repor as atividade em serviços de saúde (SS), quando as condições sanitárias permitirem.

As atividades presenciais foram interrompidas a partir de 16 março de 2020. A questão das aulas teóricas foi rapidamente equacionada com a adoção de Regime Letivo Remoto,  utilizando um  ambiente virtual  de aprendizagem (AVA). Após um período de adaptação dos alunos e professores, a rotina de aulas foi retomada. Em junho, os internatos foram reiniciados e a universidade forneceu aos internos todos os EPIs definidos por cada campo de estágio.

Para o 2º semestre, iniciado em 3 de agosto, reestruturamos a grade curricular, as disciplinas práticas em serviços de saúde do 1º ao 7º não foram ofertadas e disciplinas teóricas foram antecipadas. Os internatos e as práticas em SS do 8º período foram mantidas e foram reservados horários para reposições. Dessa forma, retomaremos a normalidade do curso ao final de 1º semestre de 2021.

Quanto a alterações no conteúdo, a telemedicina será incorporada ao currículo. Também aprendemos que o ambiente virtual da aprendizagem pode contribuir positivamente nos cursos presenciais.

Lembro que a PUC Minas tem mais dois cursos de Medicina, Contagem e Poços de Caldas. Ambos ainda no início e não formaram a primeira turma. A situação de Contagem é a mesma de Betim. Em Poços de Caldas não houve interrupção das atividades em serviços de saúde, mas as aulas presenciais também passaram ao Regime Letivo Remoto”.

UFOP – Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto  –  Gustavo Meirelles Ribeiro, coordenador;

“A universidade suspendeu o seu calendário acadêmico em 25 de março de 2020. Desde então, estamos sem atividades presenciais. Os estudantes do décimo segundo período realizaram, em grande parte, antecipação da colação de grau e os demais internatos serão retomados gradualmente, sendo que, no momento, apenas os estágios do décimo primeiro período (ginecologia/ obstetrícia e pediatria) foram retomados.

Em 24/08/2020, iniciamos o Período Letivo Especial (PLE), quando os estudantes de toda a universidade se matricularam em até três disciplinas de conteúdos exclusivamente teórico-cognitivos para serem ofertados remotamente, de modo condensado, com duração de oito semanas.

 Os principais desafios no momento são: aquisição de EPIs para o retorno seguro dos estudantes aos estágios, manutenção de contratos em cenários de aprendizagem para estágios (nosso curso não possui hospital escola), promoção de equidade no atendimento de necessidades de estudantes sem rede de internet e/ ou equipamentos para acesso às aulas remotas, além da necessidade permanente de reuniões remotas para planejamento e gestão do curso.

O momento é bastante desafiador e nos faz aprender com a capacitação para atendimento da educação em circunstâncias diversas e inéditas, considerando-se especialmente o curso de Medicina, que é essencialmente prático e acontece em cenários onde ocorre o cuidado de pessoas contaminadas, exigindo cautela para a atuação profissional segura. No momento, não há previsão de retorno de atividades presenciais, apesar de haver discussão permanente sobre o assunto entre as diversas instâncias da universidade”.

UNI-BH – Medicina da Faculdade de Medicina do Centro Universitário de Minas Gerais, Camila Viera Souza, coordenadora adjunta 

 “Com a atual pandemia,  os principais desafios da coordenação do curso foram fazer a adaptação de alunos, colaboradores e docentes à nova realidade. Defendemos a formação de médicas e de médicos imersos e integrados a contextos sociais reais, onde as pessoas moram, estudam, trabalham, se relacionam, adoecem, recebem cuidados de saúde e eventualmente morrem. Uma formação onde o estudante aprenda a usar a rede assistencial a favor de melhor saúde e mais anos de vida dos seus pacientes, da família e das comunidades assistidas.

É fundamental também fazer com que a formação médica sirva para transformar os alunos em agentes de transformação da sociedade. Médicos e médicas que estejam, eles mesmos, com saúde integral, biológica, mental, social e espiritualmente equilibrados.

Preparar o aluno para o caos é prepará-lo para o futuro que vier,  lidar com frustrações, erros, impotências, alterações positivas e negativas de cenários, da carreira, da macroestrutura nacional e internacional. Então acreditamos que o principal desafio foi trabalhar esses aspectos com essa geração de alunos e a adaptação de docentes com a distância e readaptação da maneira de ensinar e aprender.

O UniBH e a Inspirali da Medicina na Ânima Educação já propunham a inserção de tecnologia de ponta no ensino e nos cuidados médicos. Com a pandemia, tecnologias como tlemedicina (CONEXA Saúde), pacientes virtuais (Body Interact) e telessaúde via telefone foram incorporadas no curso. Isso para que a função social de alunos, professores e de colaboradores se mantivessem pujantemente vivos. E para que as competências digitais se fortalecessem em nosso curso no contexto tão adverso da pandemia, de modo que pessoas em isolamento social pudessem receber assistência médica mediada pelo uso de novas tecnologias em saúde”.

UNIFENAS-BH – Antônio Toledo Júnior, coordenador:  

“Os desafios vão mudando com a evolução da pandemia. Inicialmente o maior desafio foi converter o ensino presencial para remoto emergencial. Como o curso de Medicina da Unifenas-BH trabalha com métodos ativos de aprendizagem e com pequenos grupos a maior parte do tempo, o processo de transição foi mais fácil.

Depois vem a parte das inúmeras dúvidas sem resposta. Além da capacitação de docentes e alunos para o uso do ensino remoto, a manutenção da motivação ao longo de todo o processo é um grande desafio. É preciso dosar o tempo de aula e usar formatos variados para evitar o cansaço e perda de foco.

Outro grande desafio está ligado ao retorno às aulas. Quando voltar e como voltar? A dinâmica da pandemia dificulta muito o planejamento, pois não ha certeza absoluta do comportamento da doença. Hoje observa-se uma tendência de queda, mas é impossível prever se essa tendência se confirmará ou se haverá um recrudescimento dos casos. Como muitos alunos são de outras cidades e não retornaram para Belo Horizonte, essa incerteza é um dificultador extra para o planejamento. O coordenador gerencia isso tudo e precisa manter o moral de todo mundo alto, lidando com a ansiedade, frustrações e incertezas de todo o corpo docente e discente.

O curso conseguiu manter todas as estratégias de conteúdo teórico como eram antes, migrando para o ensino remoto sem grandes impactos em termos de conteúdo e forma de ensino. Foram adotadas algumas ferramentas colaborativas, como Google Meet, Google Documentos e Google Jamboard para suporte aos encontros e às atividades remotas.

Algumas atividades práticas, como treinamento de habilidades de comunicação e teleconsultas simuladas, foram adaptadas para o ensino remoto, utilizando, inclusive, a simulação de casos da COVID-19. As atividades práticas, como consultas ambulatoriais, aulas práticas de anatomia e aulas práticas de simulação com manequins foram suspensas e serão retomadas e repostas assim que for seguro para todos.

Não estão previstas alterações nos conteúdos em si, mas algumas mudanças na forma de ensinar esses conteúdos. Algumas delas vieram para ficar, pois aprimoram em muito o aprendizado, como o ensino híbrido e a sala de aula invertida. Nesse segundo modelo, a aula teórica é oferecida de forma assíncrona on-line para que o aluno assista no seu tempo e no seu ritmo. A aula passa ser a realização de exercícios de aplicação do conteúdo teórico e discussões. Isso aumenta muito a qualidade do aprendizado”.